V. PLANEJAMENTO FAMILIAR

O planejamento familiar, na visão da Igreja.

No Brasil, coerente com o alerta do Vaticano, Dom Lucas Moreira Neves, cardeal-arcebispo de Salvador/BA e primaz do Brasil, considerou (no jornal "O Estado de São Paulo", de 12-1-94) a ousada clonagem humana realizada por Hall e Stillman um desafio à comunidade científica mundial e às Igrejas Cristãs.Considera ele que, eventualmente benéfica à saúde humana, a intervenção da ciência não prescinde de um componente ético, o que pode torná-la inconveniente e até inaceitável.

Dentre estas intervenções, a moral cristã rejeita os métodos artificiais para o planejamento familiar. A mesma moral, que aceita as técnicas de cura ou de melhoria de qualidade de vida, chama a atenção contra as intervenções sobre as fontes da vida e, sobretudo, qualquer manipulação neste terreno, o mais próximo da ação do Criador.

"O dom da vida só a Deus pertence", consigna.

Métodos contraceptivos

A posição católica sobre o item anterior é coerente com as seguintes manifestações, anteriores e posteriores à experiência da clonagem humana:

* A Encíclica (carta solene, dogmática ou doutrinária, na qual o Papa se dirige aos bispos de todo o mundo e aos fiéis) Veritatis Splendor, o "Esplendor da Verdade", de Ago/93. Nessa Encíclica, a Igreja condena a contracepção pelo uso de preservativos masculinos e a pílula anticoncepcional.

* A Congregação pela Doutrina da Fé (órgão do Vaticano, responsável pela fidelidade aos dogmas cristãos), desde 1987, condena qualquer tentativa ou hipótese que exclua o relacionamento sexual com o nascimento do ser humano.

* O Conselho Permanente da Conferência dos Bispos da França, em comunicação de Jan/94, condenou os atos que "suplantam a união do matrimônio"para a reprodução. Pelo comunicado, o método da fertilidade só será aceitável quando não suplante a união conjugal. Moralmente condena, por outro lado, o uso de óvulos ou espermatozóides de terceiros. (GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl).

Anticoncepcionais e Reencarnação:

O controle da natalidade vem sendo executado desde os primórdios dos tempos. A civilização humana sempre encontrou raízes ou ervas com as quais feiticeiros ou médicos procuraram interferir no processo da concepção ou mesmo da gestação em curso.

Mesmo aqueles casais avessos aos processos artificiais freqüentemente optam por "métodos naturais", evitando relacionamento sexual nos dias férteis, objetivando o mesmo resultado: a limitação da natalidade. Teoricamente, em todos os casais haveria uma possibilidade de número maior de filhos, caso não houvesse alguma forma de controle ou planejamento familiar. Esta constatação nos leva a crer que há, na quase totalidade dos casais, alguma interferência por livre iniciativa, sobre a natalidade de seus filhos.

Em face do exposto, o bom senso leva a nos posicionar realisticamente, sem, no entanto, perdermos a visão idealística. Nós, seres humanos, já conquistamos o direito da liberdade de decidir, evidentemente com a responsabilidade assumida pelo livre arbítrio. O homo sapiens já possui a possibilidade de escolher a rota de seu progresso, acelerando ou reduzindo a velocidade de seu desenvolvimento espiritual. Somos os artífices da escultura de nosso próprio destino.

Nas informações que são colhidas, psicográfica ou psicofonicamente, os Espíritos nos expõem da planificação básica de nossa vida aqui na Terra, projeto desenvolvido antes de reencarnarmos. Se é verdade que os detalhes serão aqui por nós construídos, o plano geral foi anteriormente elaborado no mundo espiritual, freqüentemente com nossa aquiescência. Desta planificação básica, consta o número de filhos.

Se um determinado casal deveria receber quatro filhos na sua romagem reencarnatória e não o fez, pelo uso das pílulas anticoncepcionais, ou outro método bloqueador da concepção, ficará com a carga de responsabilidade a ser cumprida. Não se permitiu a complementação da tarefa a que se propôs antes de renascer. A grande questão que surge é com relação às conseqüências advindas da decisão de limitar a natalidade dos filhos. Sabemos que há uma transferência do compromisso estabelecido, para outra encarnação.

Sucede, muitas vezes, que esta decisão de postergar compromissos determina a necessidade de um replanejamento espiritual, com relação àqueles designados à reencarnação num determinado lar. Podem os mesmos obter "novos passaportes", surgindo como netos, filhos adotivos ou outras vias de acesso elaboradas pela Espiritualidade Maior. Ocorrerá, nestes casos, a necessidade de um preenchimento da lacuna de trabalho que se criou ao se impedir a chegada de mais um filho.

O trabalho construtivo, consciente ou inconscientemente desenvolvido, para a substituição do compromisso previamente assumido, poderá compensar pelo menos parcialmente a dívida adiada. Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou apagado por potenciais positivos, às vezes bem diversos dos setores daqueles que originaram as reações. No entanto, o labor amoroso na área mais específica da maternidade e infância carente, é naturalmente mais indicado para a harmonização das energias tornadas deficientes nesta área.

Se o ideal é que cumpríssemos o plano de vida preestabelecido, é também quase geral o fato de que, neste planeta, a maioria não logra êxito na execução total de suas tarefas. Resta-nos a necessidade de consultar honestamente a consciência, pois, pela intuição ou sintonia com nosso eu interno, encontraremos as respostas a dúvidas (ou dívidas) particulares neste mister.

É constatação evidente o fato de, normalmente, não nos recordarmos dos planos previamente traçados, mas é verdadeiro também que freqüentemente fazemos "ouvido de mercador" aos avisos que nosso inconsciente nos transmite. Não esperemos respostas prontas ou transferência de decisão para quem quer que seja; afinal estamos ou não lutando para fugir das mensagens dogmáticas, do "isto é permitido", isto não é. Cada casal deverá valorizar o mergulho no seu inconsciente, sentir, meditar e, das águas profundas do seu espírito, trazer à superfície a sua resposta... (GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo Di Bernardi).

A Laqueadura de Trompas

Ao nos referirmos a esta temática, consideraremos as digressões aqui feitas extensivas à situação correspondente no organismo masculino. A vasectomia, processo que no homem visa a interromper o fluxo de espermatozóides em direção ao exterior, também segue a mesma linha de raciocínio a ser exposto.

Há, sem dúvida, indicações médicas muito definidas e claras no que tange à ligadura de trompa: situações onde o risco de uma nova gestação é bastante elevado, podendo determinar o óbito da mulher. Ressalvam-se aqui os casos onde uma pseudo-situação é criada, consciente ou inconscientemente, tanto pelo profissional como pela mulher, que na realidade procuram uma razão que justifique a decisão prévia.

O percentual mais expressivo das laqueaduras de trompas é, sem dúvida, por motivo de planejamento familiar. Observa-se uma crescente permissividade nas indicações cada vez mais precoces e com menor número de filhos. Não nos referimos especificamente a um país ou região, mas ao contexto planetário, onde a situação é preocupante.

As lesões ou mutilações aceitas por nós, ou ainda, consentidas e estimuladas pelo cônjuge, hão de trazer repercussões a médio e longo prazo. O corpo espiritual registra as alterações e automaticamente surgirão conseqüências, neste ou outras encarnações, ligadas à esfera atingida. Fragilidades orgânicas, predisposições a patologias e dificuldades na área da fertilidade poderão ser algumas situações a ser observadas naquelas que no passado optaram por esta intervenção.

Importante, também, é que cada caso seja de per si analisado, pesando-se os inúmeros fatores envolvidos. Não há como se colocar em um mesmo grupo situações diametralmente opostas do ponto de vista sócio-econômico, cultural ou ético.

A ligadura de trompas, efetuada preventivamente em uma mulher que sistematicamente aborta ao engravidar e afirma irá abortar sempre que engravide, não poderá ter o mesmo nível de conseqüência cármica de outra que simplesmente diz ao médico não desejar ter filhos pelo prazer de conviver exclusiva e egoisticamente com seu companheiro. As circunstâncias de miserabilidade, patologias mentais e outras, de naturezas diversas, em mães de prole numerosa, reduzem o efeito desarmonizador da ligadura de trompas.

Não pretendendo legitimar ou estimular as intervenções cirúrgicas nesta área, cumpre-nos, no entanto, o dever de salientar que o livre-arbítrio sempre será respeitado como direito do ser humano. No tocante aos graus de débito cármico, é importante ter-se em mente que a mínima ou grave conseqüência estará relacionada à intencionalidade que move todos os envolvidos no processo. (GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo Di Bernardi, pág. 203/204).

O Apoio da Saúde Pública

No Estado do Rio de Janeiro, a rede de saúde pública (SUS) já oferece assistência gratuita para a ligadura das trompas, conforme reportagem publicada no Jornal "Extra" de 6 de junho de 1998. A partir dessa data, com a entrada em vigor da Lei número 9263, já podem ser feitas ligaduras de trompas em mulheres com mais de 25 anos de idade e com no mínimo dois filhos. Os critérios para a operação são determinados pelo Ministério da Saúde. Os hospitais, no entanto, antes da cirurgia, devem informar sobre outros métodos anticoncepcionais e oferecê-los de graça. A esterilização deve ser a última opção e não ser o principal método contraceptivo, diz Janine Shirmer, da área da Mulher no Ministério da Saúde.

Existe estatística sobre o assunto: 52% das mulheres que fazem cesariana ligam as trompas. Agora é proibido fazer a laqueadura no parto, devendo ser respeitado o prazo mínimo de 60 dias.

Com essa lei, a ligadura torna-se acessível aos mais pobres. Porém, a operação só é indicada para mulheres que não podem utilizar outro método contraceptivo ou que correm risco de vida numa próxima gravidez, esclarece o ginecologista e professor de obstetrícia da UFF, Dr. Jacob Arkasder.



Bibliografia:
1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 6-1997, páginas 77 e 78;
2. GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo di Bernardi, Liv. Edit. Univ. Ltda., 7-1997, páginas 199 a 201 e 203 a 204.

MANIFESTO

Manifesto elaborado pelo Dr PAULO CURI, sob a inspiração de seus amigos espirituais e fruto de sua decepção com relação à crise de má orientação sexual por que passa o nosso país e a Humanidade.

A conjuntura sócio-econômica atual é patrocinadora desta mídia que abertamente bombardeia nossas crianças com apelos eróticos e demonstrações explícitas de sexo. É um contra-senso, e um flagrante desequilíbrio mental e espiritual, proibir, procrastinar, adiar, olvidar ou esconder as informações relativas à educação sexual aos nossos jovens adolescentes e às nossas crianças em qualquer idade.

Se a pretensão é não despertar precocemente sexualidades, estamos trocando conhecimentos com bases cristãs e com responsabilidade, que o lar pode oferecer, por "cultura de lixo" encontrável em qualquer esquina da vida, atitude ignóbil sob qualquer ponto de vista.

Vivemos sob a égide de antigos usos e costumes e convivemos com uma fase social revolucionária, fase de mudanças. Entretanto, nosso orgulho, nossa ignorância e nosso egoísmo não nos deixam enxergar que estes fatores são preponderantes no aumento exagerado dos casos de DST/AIDS, gravidez indesejada e, acima de tudo, abortos criminosos, que levam, na maioria dos casos, ao desencarne prematuro Espíritos que muito contribuiriam no desenvolvimento da Humanidade.

Responderemos por nossa omissão!