IV. REENCARNAÇÃO E SUAS LEIS
O termo "reencarnação" significa voltar à carne, tornar a nascer.
Basicamente, a reencarnação admite sempre o aspecto evolutivo e presume retornos à vida física em uma espiral crescente de aquisição de valores e experiências para o Espírito.
A Doutrina Reencarnacionista não admite o retrocesso do Espírito. Os renascimentos devem ocorrer dentro de uma mesma espécie, acompanhando a evolução da mesma. A própria presença do Espírito na carne e seus retornos sucessivos, arquivando experiências, seria o fator impulsionador da evolução das espécies.
Nesse texto acima, de Di Bernardi, já percebemos a Justiça que há nas Leis da Reencarnação, sempre com vistas ao progresso do Espírito.
Em "O Livro dos Espíritos", parte II, cap. IV, lemos, segundo a revelação dos Espíritos, que o dogma da reencarnação se funda na Justiça de Deus: "Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua Justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova".
Ainda, segundo Kardec, nesse capítulo, Deus não condena para sempre os que erram, o que nos mostra a sua bondade e justiça.
O homem que tem consciência de sua inferioridade haure consoladora esperança na doutrina de reencarnação...
Quem é que, ao cabo de sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de que não mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica perdida: o Espírito a utilizará em nova existência.
Vejamos, agora, o mesmo assunto, sob a visão de Leon Denis, em "O Problema do Ser...", onde ele compara a lei dos renascimentos em toda a Natureza: "No suceder das estações do ano, nas transformações das plantas e dos animais, tudo murcha para reflorir. Também o homem está ao alcance desta lei: Tudo o que tem vivido, reviverá em outras formas, para evoluir e aperfeiçoar-se. A Natureza não nos dá a morte senão para dar-nos a vida... Depois de cada vida terrestre, a alma ceifa e recolhe, em seu corpo fluídico, as experiências e os frutos da existência decorrida. Assim, o ser psíquico, em todas as fases de sua ascensão, encontra-se tal qual a si mesmo se fez. Somos herdeiros de nós mesmos".
Os sofrimentos de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a humanidade, formam duas categorias: aqueles que o homem pode evitar e os que independem da sua vontade.
Entre os primeiros se incluem os flagelos naturais.
O homem, apreciando as coisas do ponto de vista de sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo, não compreende os fenômenos da Natureza.
Por isso se lhe afigura mau e injusto o que consideraria justo e admirável se lhe conhecesse a causa.
Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinal da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria.
Quanto maior o conhecimento adquirido pelo homem, menos desastrosos se tornam os flagelos. Com uma organização sábia e previdente, conseguirá neutralizar-lhe as conseqüências.
Assim, com referência até aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza e para o futuro, mas que no presente causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhe paralisar os efeitos.
Temos como exemplo de reações do homem a flagelos naturais: saneamento de regiões insalubres, imunização contra os miasmas pestíferos, fertilização de terras áridas e preservação contra inundações, construção de habitações resistentes aos ventos e aos terremotos, desenvolvimento das ciências que têm melhorado as condições de vida no planeta e aumentado o seu próprio bem-estar.
"Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada tivesse a temer, não seria induzido a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para frente, na senda do progresso".
"Porém os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios que provêm do seu orgulho, egoísmo, ambição, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das suas conseqüências, das dissensões, das injustiças da opressão do fraco pelo forte; da maior parte das enfermidades. (...) Deus promulgou leis plenas de sabedoria, visando unicamente ao bem. (...) Se o homem agisse rigorosamente de acordo com as leis divinas, que estão gravadas na sua consciência, não há dúvida de que se pouparia dos mais agudos males, físicos ou morais".
"Entretanto, Deus, por sua bondade infinita, pôs o remédio ao lado do mal. Um momento chega que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida, procurando no bem o remédio sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Como exemplo de inobservância da lei, causando sofrimentos físicos, temos a Lei da Conservação: Deus pôs limite à satisfação das necessidades; quem o ultrapassa, fá-lo voluntariamente; as doenças e a morte que daí podem resultar são conseqüência da sua imprevidência". (GÊNESE, de Allan Kardec, Cap. III, itens 5, 6 e 7).
"Cumpre que haja o sofrimento físico e a angústia moral, para que o Espírito seja depurado; limpe-se das partículas grosseiras. (...) Assim, a alma sobe de esfera em esfera, de círculos em círculos, unida aos seres que tem amado; vai continuando as suas peregrinações, em procura das perfeições divinas. Chegada às regiões superiores, está livre da lei dos renascimentos; a reencarnação deixa de ser para ela obrigação para ficar somente ato de sua vontade, o cumprimento de uma missão, obra de sacrifício". (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis, Cap. XVIII, páginas 288/289).
Eis aí um pouco dessa maravilhosa Lei de Justiça que governa os mundos e que Deus inscreveu no âmago das coisas e na consciência humana.
Bibliografia:
1. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994, Parte Segunda, Capítulo IV;
2. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, Cap.V, nos 4, 5 e 6;
3. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 10-1992, Cap. III;
4. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, Cap. XVIII;
5. REENCARNAÇÃO E EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES, de Ricardo di Bernardi, Liv. Edit. Universalista Ltda., 2a edição, 1947.