II. REENCARNAÇÃO DIRIGIDA E COMPULSÓRIA
O que é "compulsória"? - "Compulsória" quer dizer: forçada, obrigatória.
O que é "dirigida"? - "Dirigida" significa: orientada, administrada.
Como nos mostram as várias obras da literatura espírita, a reencarnação, assim como o processo de desencarnação, não obedece a uma regra geral. "Cada caso é um caso..." Tudo está na dependência das condições do Espírito. De que forma viveu e de que forma morreu? O que aprendeu. Como era ele em apego e desapego, etc...
Pode a reencarnação ser planejada pelo próprio Espírito, até com detalhes no corpo físico, como também as provas podem ser escolhidas pelo reencarnante. Naturalmente, sempre haverá a orientação dos mentores espirituais encarregados desse trabalho.
Em outros casos, o Espírito não tem condições de escolha nem de planejamento e sua reencarnação será compulsória, sem escolhas.
No mundo espiritual, em cada hospital, em cada colônia, há um departamento que cuida dos detalhes em favor dos Espíritos candidatos ao retorno à carne, nos casos de reencarne natural. Há, nesses departamentos, modelo de corpos físicos, de acordo com a missão de cada um, e também aí é planejado a família terrena. Nenhum Espírito reencarna em família com a qual não tenha vínculos de amor ou resgate. A lei natural é que nunca recebemos um estranho em nossa família.
No processo de reencarne natural, tudo é previamente programado e tudo obedece a detalhes importantes, como, por exemplo, a linha mestra das tarefas e da missão que o Espírito reencarnante deve cumprir em sua jornada terrena. O Espírito toma conhecimento de suas responsabilidades, conhece de antemão as provas a que será submetido e as pessoas do meio com as quais irá se relacionar. Sabe também que sempre contará cm a ajuda do "anjo guardião" que o irá inspirar nas decisões nos momentos difíceis e de incerteza.
Existem os processos que não obedecem a esta ordem natural das coisas: são as reencarnações compulsórias, aplicadas aos Espíritos reencarnantes, muitos deles dotados de alto grau de inteligência e, alguns, conhecedores do Evangelho e das Leis, mas devotados ao mal. Após análise criteriosa da Espiritualidade Superior, perdem temporariamente a condição do livre-arbítrio e passam por experiências reencarnatórias de grande aprendizado para eles.
Normalmente são portadores de idiotia, de doenças congênitas que os deixam em condições entrevadas durante toda a existência. Será inesquecível o aprendizado para esse Espírito eterno, dotado de inteligência, mas portador de um equipamento defeituoso. A suspensão temporária do livre-arbítrio provém da misericórdia divina, que ampara esses Espíritos de quedas e derrotas espetaculares.
Existem ainda as reencarnações complementares: são Espíritos que não completaram o período que lhes foi destinado viver, abreviaram a existência ou por não terem cuidado da saúde física pelo abuso de substâncias tóxicas, provocando o desencarne. Reencarnam para completar o período em débito.
Vemos, na obra mediúnica de Carlos Baccelli, pelo Espírito Inácio Ferreira, a citação de Espíritos desencarnados comensais de criaturas encarnadas que vampirizavam... Não haviam se habilitado a viver fora do corpo. O tempo em que demoravam no Mundo Espiritual era apenas o suficiente para uma nova existência física, a que retornavam de maneira automática.
No mesmo livro, lemos: "Muitos destes irmãos reencarnam sem que se reconheçam... Vivem na órbita psíquica daqueles com os quais se afinizam e de repente... caem nas malhas da reencarnação. (...) Não temos como acolher esta gente toda na vida espiritual e nem programar reencarnação para todos. Para a grande maioria dos Espíritos, o que funciona é a Lei".
Em "Memórias de Um Suicida", de Yvonne A. Pereira, lemos, no capítulo VIII - Novos Rumos, a descrição de várias circunstâncias reencarnatórias, inclusive as de Espíritos internados no manicômio e que, incapazes de raciocinar, seguiam para a reencarnação impelidos pela necessidade imperiosa de uma melhoria e algum progresso.
Diz-nos Yvonne Pereira que os técnicos do Departamento de Reencarnação daquela colônia e seus colaboradores, todos criteriosamente inspirados na Justiça e na Misericórdia das Leis Soberanas do Onipotente Criador, supriam a incapacidade de discernimento desses Espíritos para escolherem o futuro, estabelecendo em conselho o que melhor lhes convinha, com o beneplácito do Mestre Jesus.
Entretanto, outros Espíritos, com o desenvolvimento moral e mental necessário, assistiam a aulas, na colônia citada (Maria de Nazaré), para aquisição de esclarecimentos sobre a reencarnação.
A constituição física do Espírito reencarnante depende das necessidades do seu aprendizado. Sabemos que todas as experiências da vida ficam registradas do perispírito. Se, por exemplo, abusou do fumo, terá marcado, em sua forma perispiritual, nas vias respiratórias e nos pulmões, a dificuldade própria desse vício. Essas manchas ou defeitos do perispírito só desaparecerão quando transferidas para o corpo físico, que funciona como mata-borrão do perispírito.
Na reencarnação natural em que o Espírito tem condições, ele mesmo escolhe quais as manchas perispirituais que passarão para o corpo. Esse processo acontecerá até que a "túnica nupcial" fique branca (perispírito sem manchas).
Como vimos, o corpo físico é o instrumento que o Espírito usará para se livrar das manchas do perispírito e aí contamos com a Genética.
Os genes representariam uma fita magnética com possibilidades de registro das experiências de toda ordem que a espécie humana desenvolve em seus campos de trabalhos e lutas.
Em "Missionário da Luz", André Luiz cita os mapas cromossômicos, no departamento de reencarnação.
E sempre haverá um espermatozóide adequado para fertilizar o óvulo com o material genético apropriado às necessidades do Espírito reencarnante.
Do que foi exposto, fica evidente a justiça da Reencarnação e a concordância entre as Leis de Deus e a Ciência da Hereditariedade.
Sugerimos aqui a leitura do capítulo referente a esse assunto em o "O Livro dos Espíritos", nas perguntas citadas na bibliografia.
Bibliografia:
1. MISSIONÁRIOS DA LUZ, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 8-1993, páginas 205 e 206;
2. MEMÓRIAS DE UM SUICIDA, de Yvonne do Amaral Pereira, Edição FEB, páginas 258, 259, 350 e 351;
3. CREPÚSCULO DE OUTUNO, de Antonio Demarchi/ Irmão Virgílio, Lúmen Edit. Ltda., 1a. Edição, páginas 135 a 143;
4. O LIVRO DS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Questões 171, 196 e 337;
5. DO OUTRO LADO DO ESPELHO, de Carlos A. Baccelli, Edit. Didier, 1a edição.
6. DINÂMICA PSI, de Jorge Andréa, Sociedade Espírita F. V. Lorenz, 3ª edição, 1999, página 107.