XIX. O HOMEM DO FUTURO

Há quanto tempo o homem caminha para Deus?

E quando falamos em futuro, que futuro é esse?

É daqui a quanto tempo?

E então nos lembramos do que ouvimos de um filósofo: "O tempo não passa. Nós é que passamos pelo tempo".

Se voltarmos no tempo, falamos em milhões de anos para o homem primitivo mudar sua postura física na atual. Além da postura física, ocorreram alterações orgânicas, principalmente no cérebro e na capacidade craniana.

Em "A Caminho da Luz", de Emmanuel, vemos que a busca da perfeição não começou aí, a partir do homem primitivo, e, sim, bem antes, com os primórdios dos seres vivos. E aí já remontamos a bilhões de anos.

É importante que nos lembremos do homem como ser integral, completo, de corpo, espírito e perispírito. Então, não podemos separar o estudo da evolução biológica do estudo da evolução do princípio inteligente.

Estudos científicos nos mostram rudimentos de inteligência até em bactérias! E o estudo do genoma nos mostra a semelhança entre diversos grupos de animais, reforçando a idéia evolucionista. Então, fazendo uma comparação do tempo que gastamos desde a mônada, citada por André Luiz, em "Evolução em Dois Mundos", até o homem atual, poderemos ter uma pálida idéia do tempo que gastaremos para sermos o homem espiritualizado.

Num desenho de ficção, vimos o corpo físico do homem do futuro, cada vez mais alto, mais magro e com a cabeça muito grande. A Ciência nos prepara o campo para a ausência de doenças físicas, ao longo deste milênio, o terceiro, o da Regeneração. Mas, e nós, como Espíritos, como estaremos?

É em Léon Denis, no livro "O Problema do Ser, do Destino e da Dor", que encontramos respostas a essa pergunta: "A evolução material, a destruição dos organismos é temporária. As realidades imperecíveis estão no Espírito. Todos esses invólucros (corpos físicos) não são mais que vestuários que vêm ajustar-se à sua forma fluídica (perispírito) permanente... para representar os diversos atos do drama da evolução, no vasto palco do Universo".

"Emergir, grau a grau, do abismo da vida para tornar-se Espírito (evolução do princípio inteligente desde a mônada ao homem), libertar-se das sugestões do egoísmo, da preguiça, do desânimo, resgatar-se pouco a pouco das suas fraquezas, arrastando todo o meio humano para um estado superior - eis o papel atribuído a cada alma. Para isso, tem a alma à sua disposição a série de existências na escala dos mundos. Somos feitos de sombra e luz. Somos a carne com todas as suas fraquezas e o Espírito com suas riquezas latentes".

Temos em nós os instintos animais e a crisálida do anjo, o ser radioso e puro, que podemos vir a ser pela impulsão moral, pelas aspirações do coração. Quanto tempo para conseguirmos esse patamar? Depende, como acabamos de ler, de nós, exclusivamente de nós!

Então, por um raciocínio lógico, quanto ao Futuro do Planeta e ao nosso próprio, concordamos com o que temos em "Genética e Espiritismo", de Eurípedes Kühl: "Prevenindo-se doenças, mais fácil será tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais evolução espiritual. Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens e os demais seres vivos. Mais amor, mais próximos de Deus!".

Texto Doutrinário: Sinais dos Tempos

São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para a regeneração da Humanidade. (...) Tais palavras não anunciam a perturbação das Leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis.

Tudo na criação é harmonia; tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. Temos, pois, que afastar, desde logo, toda idéia de capricho, por inconciliável com a sabedoria divina. Em segundo lugar, se a nossa época está designada para a realização de certas coisas, é que estas têm uma razão de ser na marcha do conjunto.

Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso. Ele progride fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo em que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.

De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade.

Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação; de outras vezes, de modo geral.

O progresso da humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável.

Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita.

A Humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral.

Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.

Tal o período em que doravante vão entrar e que marcará uma das fases principais da vida da Humanidade. Essa fase, que neste momento se elabora, é o complemento indispensável do estado precedente, como a idade viril o é da juventude. Ela podia, pois, ser prevista e predita de antemão e é por isso que se diz que são chegados os tempos determinados por Deus.

Mas, uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem comoções, Há, inevitavelmente, luta de idéias. Desse conflito forçosamente se originarão passageiras perturbações, até que o terreno se acha aplanado e restabelecido o equilíbrio. É, pois, da luta das idéias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais foram conseqüência do estado de formação da Terra. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade.

A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a perpetuidade das relações entre os seres.

Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; Que não dele, porém dos homens vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros. Essa a fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares.

O progresso intelectual realizado até ao presente, nas mais largas proporções, constitui um grande passo e marca uma primeira fase do avanço geral da Humanidade; impotente, porém, ele é para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de os destruir.

Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade. Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros.

Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em conseqüência, aceitáveis por todos. A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos, pelos outros, como inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados, em vez de irmãos a serem amados.

Bibliografia:
1. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, 18a edição, Cap. IX - Evolução e Finalidade das Almas.
2. ESPIRITISMO E GENÉTICA, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 1a edição, Cap. O Futuro do Planeta Terra.
3. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 35a edição, 10/1992, Cap. XVIII itens 1-2-5-7-17-18-19.