XV. GENETERAPIA

Geneterapia ou Terapia Genética - O que é?

É um tratamento para "curar" o gen defeituoso, substituindo-o por um gen sadio, ou seja, uma cópia corrigida. Por exemplo: se uma pessoa não produz uma proteína importante, ela pode receber o gen que contém informações necessárias para que suas células a fabriquem. O gen também pode levar informações para a produção de substâncias tóxicas contra células indesejáveis, como as de um tumor.

As doenças causadas por apenas um gen seriam mais facilmente tratadas - a fibrose cística, por exemplo. Mas, a maioria das doenças genéticas decorre de falhas em vários genes, como é o caso do câncer.

Embora estejam sendo feitos testes de terapia genética, ainda não há previsão para que uma delas funcione.

No Rio de Janeiro, pesquisadores do INCA começam tratamento contra uma forma mortal de anemia e leucemia.

Vejamos, a seguir, algumas pesquisas em andamento sobre a geneterapia:

Terapia contra doenças do sangue - Pesquisadores do INCA esperam tratar a anemia de Fanconi com a ajuda de um vírus conseguido em laboratório. Esse vírus servirá para levar uma cópia do gen associado à doença para células do paciente.

Terapia genética no combate a tumores através de um vírus modificado geneticamente. As pesquisas e seus resultados foram publicados na revista "Nature Medicine" e se referem à eficácia do tratamento de tumores na cabeça e no pescoço.

Geneterapia para retardar a doença de Alzheimer. Esta doença deriva do acúmulo de uma certa proteína (a beta amilóide) e de células nervosas mortas no cérebro que provocam a deterioração dos neurônios, levando à perda de memória e dificuldades no aprendizado. Descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico Alois Alzheimer, somente em abril de 2001 foi feito o primeiro implante de células modificadas em paciente com a doença.

Criada nova arma contra o mal de Parkinson - notícia de Ciência e Vida, em 21.01.2001: Brasileira descobre segunda proteína associada à doença e estuda meios de neutralizar sua ação. (O mal de Parkinson é uma disfunção cerebral caracterizada por tremores, dificuldades de movimentos e coordenação. A causa é uma lesão nos neurônios ligados à substância cerebral que controla os movimentos musculares).

Geneterapia para o coração doente - Técnica utiliza um gen para revascularizar as áreas não irrigadas do músculo cardíaco devido à obstrução de artérias. A Genética chegou à Cardiologia. Um gen conhecido como fator de crescimento de vasos (VEG-F) é capaz de fazer surgir pequenos vasos no músculo cardíaco, melhorando a irrigação sangüínea de áreas que não estão recebendo sangue suficiente, devido à obstrução das artérias coronárias. (O gen VEG-F, nos seres humanos, é inativo. Com técnicas especializadas, ele é extraído de amostras de sangue e reativado. Depois é inserido numa solução que é introduzida no coração, através de um cateter ou injetada diretamente no músculo cardíaco com uma seringa. Em poucos dias, o gen leva à formação de pequenos vasos, ligando áreas irrigadas a regiões que não estão recebendo sangue regularmente).

Diagnóstico precoce de fibrose cística e distrofia muscular.

Inserção de genes - Nos EUA, 92 pacientes estão sendo testados com a introdução de genes normais no organismo para substituir as funções dos genes defeituosos.

Rim policístico - doença hereditária que produz cistos nos rins e em outros órgãos, prejudicando seu funcionamento. Pesquisadores norte-americanos identificaram a composição completa do gen que causa essa doença.

O mau uso da Geneterapia

Riscos do uso da geneterapia:

Discriminação - O acesso às informações genéticas pode resultar em tratamento diferenciado para portadores de genes defeituosos ou por parte de companhias de seguro, plano de saúde e empregadores.

Aumento da população - Tratamentos mais eficazes para as doenças levarão ao aumento da expectativa de vida, dando origem à superpopulação mundial, com grande número de idosos.

Manipulação genética de embriões, levando à busca pela "pureza de raças".

Conclusão: Com relação a essas observações, preferimos ficar com Eurípedes Kühl (Genética e Espiritismo): "Prevendo doenças, mais fácil tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais evolução espiritual. Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens. E mais amor, mais próximos de Deus".

Geneterapia contra o Envelhecimento

Experiências com ratos mostraram que, em laboratório, esses animais viveram 10 vezes mais, depois de modificações feitas em alguns genes (Revista Isto É de 22-11-2000).

Cientistas britânicos descobriram um gen ligado a uma doença de pele hereditária que pode levar ao tratamento do envelhecimento.

Pouco se sabe sobre o envelhecimento do ser humano. Quando houver maiores descobertas, tornar-se-á possível a respectiva geneterapia.

Um gen, batizado de thrombos-pondin, é um dos responsáveis pelo infarto, uma das principais causas de morte. O mesmo gen estaria ligado à formação de coágulos nos vasos sangüíneos, aumentando o risco de entupimento das artérias (segundo o cardiologista Eric Tropol).

Outra pesquisa (Julian Halcox, do Instituto Pulmão e Sangue, dos EUA) mostra a relação de um gen com a boa saúde do coração. Esse gen chama-se enos (894T) e está envolvido no controle de óxido nítrico no sangue, substância que ajuda a dilatar as artérias, facilitando o fluxo do sangue.