XII. REENCARNAÇÃO E SEXO
O Sexo do Bebê
São conhecidos de literatura os casos de monarcas que baniram suas companheiras por não lhe terem dado um filho varão. Motivos outros à parte, se esta era realmente a razão, hoje os mínimos conhecimentos de Biologia e Genética nos demonstram que a mulher sempre produzirá um óvulo feminino. Ao homem, é que caberá fornecer o espermatozóide que determinará o sexo do bebê.
As células de nosso corpo apresentam, todas elas, 23 pares de cromossomos. Destes, um dos pares é que determina o sexo. Se possuirmos o par XX, seremos mulher. Se possuirmos o par XY, seremos homem. As únicas células do corpo que não possuem 23 pares de cromossomos, totalizando 46, mas apenas a metade deles (23), ou seja, um de cada par, são o espermatozóide e o óvulo. Esta formação é feita especialmente para cada metade encontrar o seu par correspondente na concepção. O fenômeno de redução acontece durante a meiose, que ocorre nos ovários e nos testículos.
Como a mulher se apresenta com XX em todas as células, no óvulo só poderá ter X, que é o representante do par chamado cromossomo sexual.
Da mesma forma, de maneira análoga, se o homem se apresenta em todas as células de seu corpo com 23 pares de cromossomos, sendo no par sexual XY, ele poderá formar espermatozóides contendo o cromossomo X (feminino) ou o cromossomo Y (masculino).
A união de um espermatozóide X com o óvulo, que sempre é X, dará um ovo feminino ou seja uma futura menina.
A união de espermatozóide Y com o óvulo, dará, um ovo XY, portanto desenvolverá um corpo masculino.
No corpo físico, teremos, então:
a.
o sexo genético ou cromossômico - determinado no ato da fecundação pelo encontro do óvulo com o espermatozóide;
b.
o sexo gonádico - a presença do XX determinará, no indivíduo, gônadas (órgãos sexuais ou genitália) femininas; a presença de XY, gônadas masculinas - sexo fenotípico - é dado pela aparência - masculina ou feminina.
c.
ação dos hormônios - os hormônios são fabricados pelas glândulas de secreção interna e lançados no sangue.
A Hipófise influencia no mecanismo das outras glândulas.
A glândula Pineal, situada na zona mediana do encéfalo, por intermédio de seu hormônio, a melatonina, influencia toda a cadeia glandular.
Pineal (melatonina) ===> Hipófise (hormônios gonadotróficos) ===> Gônadas.
Apesar de, em sua essência íntima, o espírito não ter sexo, as vivências pregressas determinam uma nítida polarização energética do espírito reencarnante, com características masculinas ou femininas.
Podemos dizer que o espírito humano possui nas forças psicossexuais, um dos pilares da sua própria evolução intelectual e ética, por ser a conseqüência de aquisições multimilenares e continuamente renovadas pelas novas experiências no ciclo das reencarnações. Enquanto o espírito não se apresentar integralmente desenvolvido e equilibrado na sua totalidade sexual, exteriorizará sempre, no processo palingenésico, a polaridade sexual que está a exigir experiência e vivências na zona física.
Os espíritos superiores possuem o potencial dessas energias sexuais de forma integral. Nos menos evoluídos, como no nosso planeta, as forças estarão pendentes na polarização masculina e feminina, com variação maior ou menor, conforme as características individuais dos mesmos.
Convém também que façamos referência aqui que os espíritos, pelas suas características perispirituais, são vistos pelos médiuns videntes com aspecto de sua última encarnação humana e, com isto, também demonstram a sua polaridade sexual.
Tanto os espíritos masculinos como os femininos expressam-se e imprimem, em suas vibrações energéticas, a tendência sexual que lhes é natural e decorrente de suas inclinações mentais. Estas características, quando não modificadas ou bloqueadas por uma razão superior com finalidade educativa, irão expressar na organização física um sexo masculino ou feminino.
Desde antes da fecundação, o espírito reencarnante ligado ao óvulo expressa a sua polaridade sexual por uma vibração típica. Em função desta característica, de suas energias, passará a atrair e conduzir com equilíbrio e precisão o espermatozóide mais credenciado à formação do sexo do futuro ser, quer seja masculino (espermatozóide Y) quer feminino (espermatozóide X).
O Espírito reencarnante usa como instrumento, para suas tarefas com vistas ao progresso, o corpo físico.
O sexo como manifestação da sexualidade e, como todas as nossas características do corpo físico, está na dependência das necessidades do Espírito (expiação, prova, missão através da reencarnação escolhida ou compulsória).
De acordo com Jorge Andréa, o espírito ou a energética do inconsciente carrega as potencialidades dos dois sexos, e no corpo mostra a sua polarização masculina ou feminina.
Concluindo, com Jorge Andréa, em Forças Sexuais da Alma: "O Espírito é o responsável pela onda morfogenética a que pertence. A definição sexual é conseqüência das necessidades do Espírito para se construir. Evolução espiritual implica na utilização equilibrada do sexo. Sexo bem dirigido leva à monogamia ou à castidade construtiva. Sexo mal dirigido leva à poligamia ou castidade sem aplicação das energias construtivas".
Intersexualismo
Considerando a diversidade de conceituação existente na leitura psicológica, médica, filosófica e outras, cumpre inicialmente nos posicionarmos sobre o significado que estamos atribuindo a cada uma das denominações a serem estudadas.
Chamaremos de intersexualismo os casos individuais que, desde nascimento, apresentam a genitália ambígua, ou seja, aquela que suscita pesquisa médica, por vezes minuciosa, para definição do sexo. São os casos clínicos de recém-natos em que apenas o exame externo ou ectoscópico, não permite, em geral, determinar se aquela pequena criatura é do sexo masculino ou feminino. Nestes casos, recorre-se a métodos laboratoriais, radiográficos ou cirúrgicos para esclarecimento e encaminhamento correto do problema. São designados estes casos de intersexualismo, também, de pseudo-hermafroditismo, pois hermafroditismo seria a existência completa dos órgãos reprodutores dos dois sexos num mesmo indivíduo.
O intersexualismo ocorre, sem dúvida, por fatores genéticos e embriológicos que, por sua vez, são conseqüência da influência energética do estado desarmônico do Espírito. A profunda desarmonia, existente nos núcleos psicossexuais do inconsciente, irradiam ondas magnéticas para a periferia, influenciando sobre as moléculas de DNA.(genes) que, pelas suas características energéticas de alta especialização, passarão a responder com as anomalias físicas conseqüentes.
Nos bebês intersexuais, após a análise médica do caso, envolvendo cariograma com corpúsculo de Baar (que identifica o sexo feminino quando presente em mais de 5% das células), a cirurgia é indicada, tornando-se de grande importância o amparo psicológico e espiritual da criança na seqüência do acompanhamento do caso.
Transsexualismo
Conceituando transsexualismo, adotaremos o critério do Dr. Jorge Andréa. São agrupados nesta denominação, aqueles indivíduos que não têm qualquer ambigüidade anatômica na sua genitália. Fenotipicamente (aparência biológica) são normais e suas características físicas são todas relacionadas a um só sexo. Não há desvio biológico de qualquer natureza: os órgãos genitais são absolutamente normais como toda a fisiologia hormonal.
No transexual, dentro da exterior normalidade, haveria alterações psicológicas, ou seja, as atitudes emocionais do indivíduo correspondem ao sexo oposto. Seriam, por exemplo, homens com órgãos sexuais anatomicamente normais, com fisiologia também sem anormalidades, porém de psiquismo correspondente a um Espírito feminino.
Da mesma forma, para o lado feminino, estaríamos diante de uma mulher anatomo-fisiologicamente sem qualquer anormalidade, porém possuindo um arcabouço psicológico refletindo atitudes e atividades tipicamente masculinas.
Muitos transexuais jamais se permitem atitudes de desequilíbrio em relação à sua morfologia. Muitos deles se tornam artistas, das letras, da música, ou da pintura, canalizando seu potencial energético para estas atividades. Muitos desenvolverão funções sexuais corretas em relação à sua fisiologia, sem excessos, próprios do sexo em que se encontram, embora as tendências psicológicas sejam de polarização oposta. Muitas vezes incompreendidos ou mal interpretados, são tidos como homossexuais.
Observando na história, encontraremos muitos casos de transsexualismo adaptados e equilibrados à sua condição física.
Vejamos o caso do famoso Chopin, que se consorciou com a romancista George Sand. Chopin, embora homem biologicamente, possuía uma alma tipicamente feminina, refletindo-se na grande sensibilidade da arte. Sua sensibilidade crescia cada vez mais, em termos de espírito, à medida que se enfraquecia pela doença. George Sand, que expressava em seu corpo feminino sua condição de mulher, tinha toda psicologia masculina. Desde seu pseudônimo, George, até pelas atitudes e resoluções fortes que tomava. Diz-se que, quando uma goteira se fazia no telhado, Chopin se inspirava em compor, enquanto sua esposa George Sand, pensava como consertar o vazamento no teto...
Há Espíritos que reencarnam em sexo oposto à sua natureza íntima, não havendo prejuízos para sua vida sexual ou social.
Se existe harmonia interior, esta harmonia se transmite para a periferia. Espíritos podem reencarnar em ambos os sexos, sem haver qualquer distúrbio psicológico ou comportamental. Voltamos a frisar que a conceituação de transsexualidade que estamos adotando nada tem a ver com a orientação homossexual. Passaria o Espírito, em constante evolução, por uma série periódica de encarnações num determinado sexo e posteriormente em outro, como que obedecendo a uma lei de harmonia dos contrastes ou equilíbrio de polarização.
Homossexualidade
Observações iniciais:
Até o início dos anos 70, a grande maioria dos psiquiatras estava ainda convencida de que a homossexualidade era uma doença mental. Alguns acreditavam que ela poderia ter causas físicas, como é o caso de inúmeras doenças mentais. Mas a maioria acreditava que sua origem estava, geralmente, num desvio da sua orientação sexual, provocada por uma perturbação do desenvolvimento psicossexual. Os psicanalistas sempre admitiam que homossexualidade estava ligada a uma carência no processo de identificação durante a infância. Em outras palavras, o adulto homossexual teria sido uma criança que não conseguiu encontrar sua anatomia e definir sua identidade sexual em relação aos pais.
Pelas pesquisas genéticas, atualmente os geneticistas já conseguiram identificar o lócus no cromossomo para essa característica (GAY-1). O trabalho agora é rastrear o gene gay (Xq28). Há outras tantas pesquisas sendo feitas nesse campo.
Foi a partir dessas descobertas, que se mudou o conceito de homossexualidade, não mais sendo considerada como uma patologia mental, mas como uma orientação sexual. Assim:
1973 - A Associação Americana de Psiquiatria deixa de catalogar a homossexualidade como doença e removeu-a do Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Psiquiátricas;
1975 - A Associação Americana de Psicologia declara que a homossexualidade não é uma patologia;
1º de maio de 1993 - A OMS retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais. O Código Internacional de Doenças (CID 10), considera que "a orientação sexual por si só não pode ser vista como um transtorno sexual".
Não é uma opção nem uma doença, é uma característica.
Visão Doutrinária da Homossexualidade:
Para a Doutrina Espírita, as causas tem origem em vidas passadas. Para a psicologia pode ser:
1. Predisposição genética;
2. Alterações hormonais;
3. Traumas infantis e mau relacionamento familiar (forte fixação na mãe, ausência da figura paterna, inibição do desenvolvimento masculino pelos pais);
4. Fatores sociais negativos (grupo-iniciação sexual).
O sexo é mental.
André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, nos diz:
"Além da trama de recursos sanatórios, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios".
A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual... O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime "." (...) o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual e conseqüentemente no corpo físico..."".
A mente estará enriquecida de experiências masculinas e femininas. A sua individualidade será determinada pelo número maior de reencarnações, em virtude das experiências repetidas nos séculos (características passivas ou ativas).
No livro "Ação e Reação", André Luiz nos diz: "o sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser".
Situações em que surge a homossexualidade:
Jorge Andréa, no livro "Forças Sexuais da Alma", para fins didáticos, nos mostra as seguintes situações:
1. Espíritos com a mente acentuadamente feminina reencarnam, em processo de expiação, em corpo masculino:
- O corpo masculino vai criar muitas dificuldades para a manifestação dos impulsos e tendências da mente feminina;
- A inversão não é da mente, é do corpo físico passageiro.
Emmanuel, no livro "Vida e Sexo", nos diz: "a individualidade em trânsito da experiência feminina para a masculina, ou vice-versa, ao envergar o corpo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos".
2. Espíritos com mente marcadamente masculina, em processo de expiação, reencarnam em corpo feminino:
- Ocorre quando o homem tiraniza a mulher (abusos) e virá para aprender a respeitá-la, como mãe, filha, companheira, irmã, diante de Deus;
- Ou para adquirir experiência.
3. Espíritos cultos e sensíveis com a mente acentuadamente feminina ou marcadamente masculina, reencarnam em corpo diferente de sua estrutura psicológica, para execução de tarefas no campo do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual da humanidade.
André Luiz nos diz: "os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpo que não lhes corresponde aos mais íntimos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, com o objetivo de operarem com mais segurança e valor, não só o aprimoramento moral de si mesmo, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que lhes vale.
De renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e do progresso espiritual".
Nesse caso, os Espíritos não tem comportamentos inconvenientes, porque já possuem elevação moral e espiritual que disciplina emoções e desejos.
O que querem é garantia de cumprir bem a missão na experiência humana.
Essa inversão temporária não choca, não perturba e nem arrasa sua personalidade.
A homossexualidade, nos dois primeiros casos, é expiação (dificuldades morais e vícios). No terceiro caso, é o cumprimento de tarefas específicas, como nos diz André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos: "pelo instinto sexual, as criaturas transitam, de caminho a caminho, nos domínios da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito, ou cumprindo instruções especiais com fim de trabalho justo".
Já que a maioria de nós não tem ainda grandes conquistas no campo sexual, é recomendável que os indivíduos que nasceram invertidos sexualmente, optem pela castidade, devido ao grande risco de incorrerem na promiscuidade. Podemos compreender e ajudá-los melhor se aprendermos um pouco sobre a evolução do impulso sexual.
Numa faixa evolutiva, temos:
1.
O estuprador (comportamento patológico, pois, prejudica o outro e a si mesmo);
2.
O sedutor (comportamento infantil; o sexo é instintivo, egoísta, podendo ser promíscuo);
3.
O infiel (comportamento infantil);
4.
O fiel (comportamento adulto; sexo é sentimento, partilha);
5.
O sublimado (comportamento sábio; há transcendência do sexo para a doação, desapego, renúncia, sacrifício).
Percebemos que não podemos exigir de uma pessoa aquilo que ela ainda não possui,e, conseqüentemente, não consegue dar. Portanto, para evitar que ela caia na promiscuidade, é preferível que encontre um(a) companheiro(a) e tenham ambos um comportamento de fidelidade.
No "Evangelho Gnóstico de Tomé", Hermínio C. de Miranda comenta: "seja como for, o ideal da castidade ou mesmo da abstinência, consolidou-se no Gnosticismo e parece ter coincidido com o pensamento de Paulo que o admite como alternativa menos indesejável para aquele que não consegue dominar o impulso animal. É o que ele ensina, ao conceder que "é melhor casar do que abrasar".
No livro "Laços de Família", Divaldo Pereira Franco diz que "o homossexualismo é uma experiência evolutiva no processo de desenvolvimento dos valores éticos do ser".
"O Espiritismo de forma alguma é contra a estrutura homossexual do indivíduo, não anuindo, porém, com a pederastia, a entrega do homossexual aos hábitos e práticas perturbadoras, o que é muito diferente".
"A pessoa pode ter uma sensibilidade masculina num corpo feminino, porém não é necessário que tenha uma vida promíscua só porque existe esse choque entre sua psicologia e sua anatomia".
No livro "Família e Espiritismo", no item Implicações Espirituais do Sexo, Osvaldo Magro Filho nos diz: "não é o fato de um Espírito reencarnar num corpo de homem e depois num corpo de mulher (e vice-versa) que implica que este terá comportamento homossexual, mas sim, o valor que o Espírito dá ao sexo, sob a ótica masculina ou feminina. Isto o levará, em outra existência, às reminiscências passadas e às tendências homossexuais".
"Esta prova é transitória e o poderá reajustar, sem, contudo, cair na prática sexual desordenada".
Em "Loucura e Obsessão", Manuel Philomeno de Miranda (cap. 5 e 6) analisa um caso a esse respeito e traça orientação muito oportunas para aqueles que transitam nessa etapa.
"Assim, o melhor agente profilático para esses desequilíbrios é evitar a promiscuidade, tão em voga na atualidade".
O que fazer?
Se encontramos dificuldade em aceitar, tolerar e conviver, pensemos o que faríamos se estivéssemos no lugar deles.
No livro "Sexo e Destino", André Luiz diz:
"(...) Inúmeros espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar-se, aperfeiçoar-se e nunca com a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os débitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta. (...) As personalidades humanas, tachadas por anormais, são consideradas tão carentes de proteção quanto às outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade. Segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo considerado anormal são examinadas no mesmo critério, aplicado às culpas das pessoas tidas por normais, notando-se ainda que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem no clima estável da maioria".
O que nos espera?
Ainda no livro "Sexo e Destino", André Luiz comenta:
"(...) No mundo porvindouro, os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto os julgados anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física".
Sexo transviado
Conduta Espírita ante o sexo transviado:
Ouvirás referências descaridosas em torno do sexo transviado; no entanto, guardarás invariável respeito para com os acusados, sejam eles quais forem.
Muito fácil traçar caminhos no mapa. Sempre difícil trilhá-los debaixo da tempestade, às vezes sangrando as mãos para sanar dificuldades imprevistas.
É preciso saber penetrar fundo nas necessidades do espírito, para enxergá-las com segurança.
Aplica a bondade e a compreensão toda vez que alguém se levante contra alguém, porque, em matéria de sexo, com raras exceções, todos trazemos heranças dolorosas de existências passadas, dívidas a resgatar e problemas a resolver.
Muitos daqueles que apontam, desdenhosamente, os irmãos caídos em desequilíbrio emotivo, imaginando-se hoje anichados na virtude, são apenas devedores em moratória, que enfrentarão, amanhã, aflitivas tentações e provações, quando soar o momento de reencontrarem os seus credores de outras eras.
Não condenarás.
Enunciando tais conceitos, não aceitamos os desvarios afetivos como sendo ocorrências naturais. Propomo-nos defini-los por doenças da alma, junto das quais a piedade é trazida para silenciar apreciações rigoristas.
Nas quedas de sentimento, há que considerar não somente a fraqueza, necessitada de compaixão, mas também, e muito comumente, o processo obsessivo que reclama socorro ao invés de censura. Não podemos medir a nossa capacidade de resistência, no lugar do companheiro em crise e, por isso, é aconselhável caminhar com a misericórdia em quaisquer situações, para que a misericórdia não nos abandone quando a vida nos chame ao testemunho de segurança moral.
Se alguém caiu em desvalimento ou desceu à loucura, em assunto do coração, misericórdia para ele! Em todas as questões do sexo transviado, usa a misericórdia por base de qualquer recuperação. E, quando a severidade nos intime a gritar menosprezo, acalentar maledicência, estender escárnio ou receitar punições, recordemos Jesus. Aquele de nós que jamais tenha errado, em nome do amor, seja em pensamento ou palavra, atitude ou ação, atire a primeira pedra. (ENCONTRO MARCADO, de Emmanuel/F.C.Xavier).
Bibliografia:
1. O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS HUMANOS, Deolindo Amorim e Hermínio C. de Miranda;
2. ENCONTRO MARCADO, F.C.Xavier/Emmanuel, Edição FEB;
3. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, André Luiz, Edição FEB;
4. FORÇAS SEXUAIS DA ALMA, Jorge Andréa, Edição FEB;
5. SEXO E DESTINO, de André Luiz/F.C.Xavier, Edição FEB;
6. SEXO, AMOR E EDUCAÇÃO, Celso Martins;
7. AMOR, CASAMENTO E FAMÍLIA, Jaci Regis;
8. DIVALDO FRANCO EM UBERABA, Carlos A. Baccelli;
9. SEXO, SUBLIME TESOURO, Eurípedes Kühl;
10. O EVANGELHO GNÓSTICO DE TOMÉ; Hermínio C. de Miranda;
11. LOUCURA E OBSESSÃO, Manoel P. de Miranda, Edição FEB;
12. FAMÍLIA E ESPIRITISMO, Autores diversos;
13. LAÇOS DE FAMÍLIA, Divaldo Pereira Franco;
14. CRIAÇÃO EM SEPARADO, Chandler Burr;
15. FENOMENOLOGIA DA HOMOSSEXUALIDADE MASCULINA, Nestor Eduardo Teson;
16. SEXUALIDADE: OPÇÃO OU DETERMINISMO, Cláudio Meneghello Martins;
17. TRANSEXUALISMO E IDENTIDADE SEXUAL, Paulo Roberto Ceccarelli.